Diante do desafio de pensar o futuro da profissão contábil, me inspiro no conceito de desenvolvimento sustentável, que consiste na capacidade de suprir as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade de atender às necessidades das gerações futuras.

Trazendo a reflexão para o compromisso da atual geração de contadores em relação à profissão, há que se ter o mesmo cuidado. Pensar sobre que legado técnico, científico e intelectual queremos deixar para a nova geração de profissionais. Quais iniciativas adotadas hoje garantem sustentabilidade mercadológica para os Contadores no futuro?

Essa definição ressignifica toda a responsabilidade que temos enquanto líderes classistas, professores, empresários e formadores de opinião. Passamos a ter missão em vez de obrigação. Percebe-se muitos colegas desmotivados, preocupados com a sucessão do próprio negócio por não terem herdeiros contadores e por não conseguirem preparar sucessores, talvez por medo de concorrência interna, insegurança que acaba por sufocar o próprio negócio. Penso que a pior crise que poderemos enfrentar no futuro é a escassez de capital humano qualificado para atuar nos diferentes segmentos profissionais.

Apesar dos desafios tecnológicos que a disrupção contábil nos impõe, é no campo da formação e da educação continuada que se encontram nossos maiores gargalos.

O mercado contábil é muito promissor devido ao seu alto padrão de complexidade técnica aliado a uma regulação forte que preserva áreas de atuação intactas para os Contadores habilitados. No entanto, ameaças existem, e não podemos negligenciá-las. Numa visão futurista, toda a informação será processada em plataformas tecnológicas, facilitando a operacionalização da informação, mas exigindo, em contrapartida, conhecimento técnico sólido e domínio da Inteligência Artificial. Imagina-se que boa parte do nosso tempo deverá ser direcionada a atividades de planejamento, conhecimento dos segmentos de negócios e programas de redução de custos, compliance, gestão de riscos, estruturas de governança e tudo que possa agregar valor aos empreendimentos. Existem mercados inexplorados pelos contadores como oferecimento de produtos para pessoas físicas, que podem significar uma decisão estratégica para absorver o volume de profissionais e prestadores de serviços contábeis no mercado. Podemos criar segmentos de atuação profissional, como o personal accountant (contador pessoal), popularizando a demanda por serviços contábeis.

Quando falo em popularização da demanda, não estou me referindo à redução de remuneração, mas ao ganho de escala que pode gerar crescimento.

Nosso maior desafio é estar aberto às oportunidades, explorar novos nichos de atuação. Pensar com mente disruptiva é se preparar para um mercado que ainda nem conhecemos, mas que já está sendo construído em algum laboratório tecnológico do MIT (Massachussets Institute of Tecnology) ou da Singularty University. Algumas coisas vão mudar tão radicalmente que muitos ainda nem conhecem o mercado em que irão atuar. Diante de um desafio desses, o que nos resta é manter a mente aberta e estar dispostos a mudar o mindset. Em tempos de mudança, o profissional deve investir na carreira, na formação, na rede de relacionamentos. Formação profissional não é só conhecimento técnico. Cada vez mais, precisamos de boa comunicação, postura, ética, proatividade, networking, programas de coach, mentoria especializada e, principalmente, autoconhecimento.

Mas, já que estamos comemorando o Dia do Contador, convide o pessoal da empresa, os sócios, os clientes, os colegas de formatura, da faculdade e comemore o que a profissão te proporciona e ainda vai te proporcionar. Sucesso!

Artigo por Ana Tércia – Presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Rio Grande do Sul (CRCRS)

Fonte: Jornal do Comércio

Comente aqui:

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Time limit is exhausted. Please reload CAPTCHA.